FLIPEI: a festa literária pirata esse ano será online

FLIPEI

A FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, que existe desde 2003 todo mundo conhece. Famosa por ter conseguido êxito ao movimentar o mercado editorial longe da capital do Estado do Rio de Janeiro, a Feira é referência nacional. Mas e a FLIPEI? Já ouviu falar? A sigla serve para Festa Literária Pirata das Editoras Independentes.

Para condizer com o nome, o cenário das mesas e conversas é um barco, atracado na margem esquerda do rio Perequê-açu, também na cidade de Paraty. Quem não consegue entrar pode sentar-se em bancos improvisados ou no relvado em frente à embarcação pirata recheado de “livros subversivos”, segundo o site do evento.

Por uma questão de segurança, a quarta edição da FLIPEI terá que dispensar a nau e o rio e acontecerá inteiramente online entre 18 e 28 de março. A programação completa já se encontra disponível no site oficial e assim como os outros eventos literários ocorridos durante a pandemia a FLIPEI também contará com uma feira de livros online.

FLIPEI: já conhece a feira que mistura literatura, política e ativismo?

O curador da FLIPEI é o Cauê Amani, que também é o jovem editor da Autonomia Literária, editora que encabeça o projeto da feira. Só para a feira de livros online, está confirmada a presença de 95 editoras independentes. Muito mais do que as 12 editoras que começaram a se aventuras nas margens do rio em Paraty há quatro anos.

O viés dos debates e das mesas de conversa é político e subversivo, ao assumir sair do lugar-comum do evento principal do qual se emancipou, o tema deste ano será: “FLIPEI 2021 – Livros e comunas para novos futuros”. As imagens do site fazem referências aos escândalos e acontecimentos políticos do último ano: latas de leite condensado, árvores desmatadas, Zumbi dos Palmares, metralhadoras, vírus, mamadeiras com bicos duvidosos e um enorme jacaré de jaleco e uma seringa espetada numa das patas.

Quem frequentou as outras edições diz que o faz para sair dos temas pasteurizados e seguros da feira-mãe, outros afirmam que é na FLIPEI que se pode falar de temas controversos, onde é possível falar de uma literatura não discutida pelo mainstream.

De fato, em 2021, a FLIPEI irá homenagear os 150 anos de Comuna Paris, com convidados como Padre Júlio Lancelloti, Rita Von Huty, Preta Ferreira, Kaká Werá, por exemplo. Na lista de autores internacionais, estão confirmados: Kristin Ross, Daniel Cohen, Atilio Borón, Mark Bray, Peter Gelderloos, Julieta Paredes e Toumani Kouyaté.

No final das contas, de pirata a FLIPEI tem pouco além da iniciativa e do barco. Com a redução da FLIP e o aumento da procura do público pelas programações paralelas ao evento, não deu mais para a organização ignorar as iniciativas como a feira pirata, que precisa pagar pelo próprio barco e desembolsar cerca de 2.500 reais para ser incluída na programação oficial da FLIP.

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