Sunny: um mangá que merece a nossa atenção

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Lançado pela Devir em 2020, Sunny talvez seja uma das obras mais acessíveis de Taiyo Matsumoto. E esse fato pode enganar os mais distraídos, uma vez que a obra possui um ritmo próprio nas suas composições de traços e ângulos.

O primeiro volume da trilogia tem conquistado elogios de público e crítica por tratar de um tema universal: o abandono de crianças. Apesar de ter sido escrito dentro da realidade japonesa, a obra versa sobre o assunto sem marcadores culturais específicos, dessa forma, ela pode encontrar identificação independente do background do leitor.

Sunny e as novelas gráficas para adultos

Apesar da estética agradável, Sunny não é uma HQ voltada para jovens e crianças. Ela é um mangá seinen, ou seja, é um mangá voltada para adultos, mais especificamente homens adultos (apesar dessa definição estar em debate nos meios especializados).

Os mangás seinen sualmente são voltados para temas como ação, ficção científica e fantasia. O conceito, desenvolvido na década de 70, tem suas origens no movimento gekigá surgido no início dos anos 50 e tinha como foco assuntos mais sérios, com críticas sociais e um estilo de desenho mais realista e menos colorido.

Com crianças sim, infantil não

Sunny não é uma novela gráfica feita para ser lida em algumas poucas horas, ela exige um pouco mais do leitor nas suas 424 páginas e capa cartonada. Nos 12 capítulos deste primeiro volume é possível testemunhar o desenvolvimento das personagens, as suas nuances de personalidade e as suas histórias até ali. É uma HQ que demanda um pouco mais de atenção e carinho por parte do leitor.

A história, 70% verídica, segundo o autor, tem lugar no Jardim Escola Hoshinoko e Sunny nada mais é do que o nome de um Nissan Sunny 1200 amarelo e defeituoso. O carro fica estacionado no pátio do Jardim Escola e é o refúgio onde as crianças vão para escaparem da realidade e protagonizarem idas à lua, lutas épicas e a volta para casa e o encontro com os pais. Sim, o abandono está lá, ele permeia cada traço e cada aventura sem precisar ser nomeado, isto é, a inocência infantil bate de frente com a natureza humana no seu perfil mais duro.

A HQ é considerada uma obra parcialmente autobiográfica e Taiyo já afirmou em entrevistas que antes de publicar pediu perdão aos pais. Sunny venceu o prêmio de mangá no Japão, o Shogakukan, foi indicado ao Harvey Award e ao Festival d’Angoulême, este último por duas vezes.

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