Prêmios literários importam – ou, um prêmio para chamar de seu

Prêmio Jabuti, Prêmio Sesc de Literatura, The Booker Prize, Prêmio Camões, Man Booker Prize, British Book Awards, Franz Kafka Prize, Prix Goncourt, Wole Soyinga Prize, entre tantos outros. Por que os prêmios são importantes? Que razões levam tantas pessoas a se interessarem, divulgarem e apoiarem a existência dos prêmios literários?

Parece pouco para ser verdade, mas a razão é tão simples que parece mentira: prêmios trazem novos leitores para livros incríveis. É claro que cada prêmio possui a sua particularidade, são diferentes objetivos e propósitos. Alguns focam em jovens autores, outros em obras escritas num determinado idioma, muitos fornecem popularidade instantânea e outros focam em gravar o nome dos vencedores para a posteridade. Muitos sequer são conhecidos fora do seu país de origem.

Por exemplo, sabia que existe um prêmio de literatura do Nepal? Chama-se Madan Puraskar. A Eslovênia possui nada mais, nada menos, do que dez prêmios dedicados a literatura do país. A lista poderia seguir tranquilamente: poderíamos dividir os prêmios literários por países ou por gênero e tipo – infantojuvenil, ficção, mistério, história, comida e bebida, romance e esportes, por exemplo.

Afinal, por que os prêmios literários importam?

Em um tempo onde tudo está disponível online, quando ninguém precisa mais sair de casa para conhecer as novidades, os prêmios literários parecem ainda mais importantes. Quando em momentos recentes fomos impedidos de ir até a livraria mais próxima para correr os dedos pelos lançamentos e aproveitar a curadoria do livreiro (eu sei, cenas idílicas, mas não menos reais), os prêmios literários funcionaram como catalisadores de novas obras e ajudaram a direcionar os leitores para o que de bom tem sido produzido. Quanta coisa boa a gente perde porque é impossível acompanhar todos os lançamentos ao mesmo tempo? Seja porque não é o nosso nicho de interesse, seja porque é uma obra de outro país e em outra língua.

O mundo está cada vez mais diverso e a tendência é que a literatura abra cada vez mais espaço para o que seja diferente do etnocentrismo padrão que a guiou por anos: o que estava fora dos limites da academia (quem produz a academia?) não era visto, nem lembrado. Mulheres só eram publicadas com pseudônimos masculinos e autores de países da África ou América Latina, nem era considerados.

A romantização dos prêmios passa agora por mais do que prestígio: eles fazem chegar todo tipo de literatura a todo tipo de leitor. O British Book Awards levou 30 anos para premiar uma autora negra pela primeira vez na categoria Livro de Ficção de Estreia, difícil acreditar que esse tempo todo nenhuma mulher negra britânica tenha escrito um livro digno de um prêmio. Muito difícil.

O Orange Prize for Fiction, trouxe em iniciativas pregressas, a ideia de colocar jovens para ler e discutir os antigos ganhadores do prêmio e o comentário de quem estava lá é de que a experiência foi revigorante e que mudou muito a perspectiva dos jurados sobre as obras premiadas. Revisitar as antigas obras com olhares tão novos foi como construir um diálogo, uma ponte com esse público leitor. São novas saídas para práticas antigas, novas maneiras de olhar e premiar a literatura.

Os prêmios literários são importantes porque convertem novos leitores, publicitam novas obras e abrem caminhos para as futuras gerações dos dois lados da premiação, basta escolher um prêmio para chamar de seu.

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